domingo, 21 de setembro de 2008

sobre-todas-as-minhas-cegueiras

Acabei de assistir, estarecida e deslumbrada, ao Ensaio sobre a cegueira.

Ironias a parte, foi só depois de observar que toda a minha imaginação pode sim ser traduzida em imagens é que eu descobri o que faz daquele senhor português o meu escritor espelho: a brilhante e mágica maneira que ele trabalha o sacrifício.
Assim como eu, nos meus sonhos, nas minhas ousadias literárias e no que eu acredito para a minha vida, sem dúvida nenhuma tenho a petulância de afirmar que eu poderia ser uma das heroínas anônimas do Saramago.
E não importa o quanto eu mudei (ou acho que mudei), o quanto de experiência eu ganhei, o quanto da minha vida me atropelou e o quanto de responsabilidade a mais que eu carrego, saí hoje do cinema como aquela menina de 16 anos, que há 9 anos leu chorando a última página desse mesmo livro de 458 páginas que ganhei de Natal.
Saí com a mesma impressão de vazio e com a certeza de que, se fosse preciso, faria exatamente o que aquela moça loira fez.
Saí acreditando de novo que, para ficar cego não é preciso fechar os olhos. Basta simplesmente enxergar alguma sozinha.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sou sua fã, sabia? Fui assistir ao filme ontem tb. Fantástico. Um bj, com saudades. DPM

Vanz disse...

Saramago-mestre-mago, devoção, devoção.
É de ficar mudo, de comer as palavras.
Só peço manter os olhos vivos, para que possa mantê-lo vivo em mim.
E, vamos combinar, Meireles mandou bem pra kct!

beijo, querida.