Um dia a gente tropeça em uma pedra. Xinga, reclama, enche a boca e a mente de pensamentos sombrios e sujos.
Os frágeis, no outro dia esquecem a dor do dedão ferido e voltam a andar descalço novamente sobre as pedras. Aí pisam de novo e de novo até formar um calo e a dor ser, erroneamente, menor.
Os resignados acham que o dedão está ali mesmo é para ser sacrificado e que tudo bem se uma pedra ou um pisão tirarem a alegria dele por alguns segundos de dor.
Há os vingativos que colocam o seu sapato de bico de ferro e ficam só esperando a maldita pedra para "ela ver só uma coisa!". Querem ser uma pedra no sapato de alguém.
Falo daqueles pacientes também, que sentam no meio fio e ficam apreciando a estrada vazia e o sofrimento da pedra a espera da próxima vítima. Sorriem muito quando ela não vem.
Alguns são militantes sem causa e acham que, porque uma pedra os feriu, eles precisam ser rebelar contra todas as outras do mundo, as chutando e maltratando. Eles fazem isso porque simplesmente não sabem nem mais qual é a pedra que lhe feriu, mas eles precisam provar que se vingaram.
Há os que nem andam, com medo de machucarem os pés. E, por fim, há aqueles que dizem que andam, contam como foi o caminho, mas não se machucam. Isso porque estão nas costas dos que realmente caminham e, infelizmente para a vida, também chegam lá.
Eu sou estou bem diferente.
Tem uma pedra, ok... vou continuar andando. Ela está bem no caminho, ok... vou tentar transpassá-la. Ela é muito grande para mim? ok... tenho escalá-la. Mas, e se ela insistir em arrebentar o meu pé? OK!
Sento sobre ela, arrumo um mapa e sigo outro rumo.
É que eu tô numas agora de mudar de caminho e não arrebentar os pés ou correr das pedras.
É que eu acabei de descobrir que existem milhares rumos que me levam a felicidade e não só um como eu imaginava.
É que eu tô preferindo guardar as pedras no bolsos para fortificar as minhas pernas na hora da corrida.
É que descobri que não importa como, mas eu sei que vou chegar lá e se eu tiver que andar mais por isso, tudo bem! Desde que eu chegue com meus próprios pés.
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(...) O gatinho bateu à porta e disse ao ogro que a abriu:
— Meu querido ogro, tenho ouvido por aí umas histórias a teu respeito. Dize-me lá: é certo que te podes transformar no que quiseres?
— Certíssimo — respondeu o ogro, e transformou-se num leão.
— Isso não vale nada — disse o gatinho. - Qualquer um pode inchar e aparecer maior do que realmente é. Toda a arte está em se tornar menor. Poderias, por exemplo, transformar-te em rato?
— É fácil — respondeu o ogro, e transformou-se num rato.
O gatinho deitou-lhe logo as unhas e comeu-o (...)
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4 comentários:
Essa menina só me dá orgulho.
Principalmente porque de toda essa história, esse é exatamente o sentimento que eu esprava de você.
Perfeita. Como sempre.
Ju, com a vida a gente descobre como são importantes estas pedras em nosso caminho. E não digo isso porque temos que sofrer pra aprender alguma coisa na vida (sou contra esta filosofia do sofrimento e conquista), mas pq ela nos faz lapidar o que temos de bom, do fundo do coração. Siga em frente. Sempre. Beijoca
tem pessoas que com pedra, sem pedra, com obstáculos, sem obstáculos, com placas de sinalização ou sem chegam.
Chegam sim no seu destino.
Sabe por que? Por que querem , por que o traçam e tb por que desejam.
Trabalham no presente para ter um futuro.
Vc é uma delas.
Olhar para vc dá para sentir isto.
Sabe o que é melhor de tudo isto? É que vc sabe.
Assim já simplifica muito
Bjs,
Dani Padilha
As pedras são trituradas, viram cimento, que viram as estruturas, que viram a nossa casa. Nós mesmos.
Somos feitos das pedras e das flores que encontramos pela vida.
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