
Quando eu pisei em São Paulo me senti como quando era pequena, no banheiro da casa da Vovó Elcy, tentando acender a luz "lá" no alto, me apoiando na ponta dos pés.
Tudo parecia tão mágico, tudo parecia tão distante. Os prédios eram muito altos e os elevadores muitos rápidos.
O Gian sempre me perguntava porque eu nunca sorria. A resposta sempre é sincera: porque estou dormente.
Quando cheguei, sorriam de mim porque falava "sacô", porque falava "mamãe e papai" porque falava "irmã". Zombavam porque eu chamava a Fernanda de Nanda, a Flávia de Flavinha e a Toty de Totika. E eu não sabia o que era Farol, não sabia o que é Cândida, não sabia o que era bolacha, não sabia o que era um "cara braço".
Mas tinha uma coisa boa nisso tudo. Não perdendo as minhas raízes eu nunca me esquecia da minha primeira vitória: estar aqui!
Hoje, já consigo apertar o botão do 20º andar do elevador. Já consigo gargalhar até a minha barriga doer. Já chamo a Fernanda de Fê, e quando falo Fernanda é com um "nan" bem longo.
A Flavinha virou Flá e "então e na verdade" já começam 90% das minhas frases.
Quando eu falo "meu" o Gian me corrige. O "então" ele já nem nota. Já como comida japonesa, já falo da José Paulino e da 25 de março como se fossem Av. Governador Lindemberg, em Linhares
Ninguém mais quase lembra que vim de fora. Se eu não contar, passa batido.
É que chegar até aqui já não significa mais nada.
O que importa agora é onde eu posso chegar a partir daqui!
Um comentário:
O mais bacana é ser do mundo sem deixar de ser de Linhares.
Daqui pra frente o universo te convida!
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