
Era assim: vinha um caminhão anunciando a grande atração. Sempre acontecia no domingo, bem em frente em a minha casa, lá em Linhares.
Fechavam as ruas, estacionavam duas carretas com desenhos colados. Estavam lá as crianças, as famílias, o prefeito e a diretora da escola.
Aí vinha aquela voz de narrador, revelando ao grande público a inigualável atração: "Senhoras e senhores, com vocês, Carlos Cunha!!!!"
E lá vinha ele em duas rodas. A multidão acompanhava em fôlego. Passava correndo e no final, um cavalo de pau. A multidão aplaudia perplexa e, como gran finale, uma roda de fogo onde o carro voava 12 metros.
Todos paravam de respirar naquele momento em que o carro estava no ar. Era único, repleto de ansiedade, exitação e torcida.
E só quando o carro parava do outro lado e o Carlos Cunha saía intacto, com seu capacete azule que aconteciam os aplausos.
E a criançada olhava boquiaberta. Eu olhava como um sonho.
Uma vez conheci uma menina que andou com ele em duas rodas durante a apresentação. Que inveja eu tinha! Só no próximo ano agora...
E eu, que só via o capacete, achava que a cabeça dele era aquilo mesmo até que, anteontem, o Gian me falou que o conheceu pessoalmente e que, pasmem! Ele tinha cabelo e estava velho.
E eu fiquei tão empolgada, tão entusiasmada do meu marido conhecer o Carlos Cunha que não me contive: sorri, falei, duvidei, liguei para a Mila.
Ele, que não entendia nada, me perguntou o porque daquilo.
"Que figura marcou a sua infância Gian?"
E ele respondeu: "o Jaspion!"
É isso: é como se eu tivesse conhecido o Jaspion.
2 comentários:
Jubs,
ontei fiquei com esa história na cabeça. Obrigada por me falzer lembrar dessas coisas.
bjbjbjbj
Juca,
Então, seu blog é assim, você entra para dar uma espiada e não quer mais sair.
Neste post me vi em Assis, na avenida Rui Barbosa, vendo os tais carros quase capotarem fazendo um barulho ensurdecedor. Eu morria de medo daquilo e nem lembrava que dentro do carro tinha um homem.
PS: adorei o link para o meu blog. Me ensina a fazer isso!
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