A caixa de sonhos
Um dia, ela pegou todos os seus sonhos e colocou dentro de uma caixa.
Não escolheu muito, pegou a primeira caixa que viu pela frente: aquela que sempre esteve ao alcance das suas mãos.
Era espaçosa, pouco colorida e muito empoeirada, mas parecia uma boa proteção para aqueles sonhos tão especiais.
No início, teve um pouco de resistência a colocá-los lá dentro. Mas por fim, rendeu-se e foi colocando um, depois o outro, com muito cuidado para que não ficassem apertados ou sufocados. Queria que se sentissem confortáveis afinal, sabia que permaneceriam ali por muito tempo.
Fechando a caixa, rezou para que conseguisse o que pretendia: guardando-os ali, sozinhos e imaculados, protegidos da ação tempo. Queria impedir que ficassem gastos, sem vida ou sem mais importância na sua vida.
E ela, em pé perante o seu sonhado relicário, pediu para que seus sonhos permanecem ali como no dia que surgiram, sempre cheio de esperanças e cobranças. Isso porque queria poder olhar para eles depois de anos e ainda poder culpá-los por nunca conseguir ser feliz por completo.