A síndrome é assim: existe o Don Corleone que vive a vida inteira acreditando que sempre as pessoas que fariam tudo por ele e tudo para ele. Sempre ririam das suas piadas, aplaudiriam seus discursos, soprariam a sua sopa para ele não se queimar.
Rodeado por esses fiéis escudeiros, o Don Corleone vive feliz sentado atrás da sua mesa comprida, fumando charutos, gritando e berrando todas as vezes que alguém pisca de uma maneira que ele não quer, todas as vezes que alguém respira da maneira que ele nã0 quer, todas as vezes que alguém descorda do que ele quer.
Aí, um dia, o mais fiel de todos os escudeiros não aguenta mais aquilo tudo e resolve se rebelar, mandar o Don Corleone catar coquinho e segue, feliz e renovado, seu novo rumo.
A coragem desse ex-escudeiro é tanta que incentiva o resto da trupe à seguí-lo.
Assim é feito, um por um, seguindo a sua trilha e se libertando do Poderoso.
E para os remanescentes escudeiros, estar ou não estar ao seu lado não faz a menor diferença.
No final, sobra um Don Corleone irritado e, acima de tudo, desconfiado. Toda rodinha de pessoas passa a ser um motim revolucionário. Todos os que falam mais baixo fazem algum tipo de conspiração contra ele. O que fulano pensa? Como ele reage?
Não há mais ninguém que o apoie ou que vanglorie as suas idéias. Só há um exército de indiferentes, surdos, mudos e desacreditados.
Moral da história: Don Corleone olha cada vez mais para todos os lados ao passar por um corredor estreito. As pessoas nem ligam para o que ele pensa e termina assim: Ele achando que a culpa é dos outros e as pessoas, com a certeza absoluta de que a culpa é só dele.
2 comentários:
só lamento não ter sido o primeiro escudeiro a sair. O bom é que há sempre um remanescente como você, que deixa tudo melhor. O bom é que há lucidos. O bom é que a gente aprende com tudo na vida. Sua teoria é muito inteligente.
Heh, é meio triste ver as coisas tomarem esse rumo. Mas, essa síndrome quando bate, não larga o sujeito nunca mais...
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