terça-feira, 24 de julho de 2007

O papai Smorf


Eu, que sempre escrevi textos, poesias e verdades sobre os outros, sempre sofri calada por nunca ter sido inspiradora de ninguém.
E foi num dia de tarde, que o papai trancou eu e a mamãe no seu consultório e começou a ler umas pequenas páginas de caderno manuscritas, rabiscadas e emocionantes.
Eu, sentada na cadeira de dentista, me emocionando em cada tônica enquanto a mamãe disfarçava e soltava de vez em quando um "ai que lindinho!" que é só o que ela consegue falar sem deixar as lágrimas caírem.
Naquele dia, muita coisa mudou para mim. Naquele dia, o papai virou um poeta e de uns tempos para cá ele resolveu me escrever sempre. Sobre tudo. A toda hora.
Emails de orgulho, emails de conselhos, emails contanto "causos", emails falando da infância.
E ele, que se sempre disse que "Deus escreve certo por linhas tortas", que inventou o verbo "tintiar", que me apelidou de Morena e a Mila de Princesinha entra agora para o meu rol de escritores preferidos. Na frente do Rubem Braga e coladinho com o Drummond.

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