A Ana me pediu um texto. Normalmente eu não escrevo textos pedidos. Não porque eu não quero, mas porque eu não consigo. Dia após dia, escrevo detalhes de pessoas que vivo e, como sabemos, detalhes nunca são lembrados quando realmente precisam.
Mas com ela é diferente. Tem muitos detalhes que não saem da minha memória.
Tenho muito aprimorados meus sentidos quando falo da Ana.
Um dia eu a vi chorar. Não um choro de tristeza, mas um choro de raiva misturado com exaustão. Minutos depois eu a vi sorrir, não um sorriso de sacarmos, mas um sorriso de aprendizado.
Um dia a Ana me fez ouvi um grito. Não um grito de alegria, mas um grito de desabafo. Estava cansada daquilo tudo e naquele momento a culpa era minha. Poderia ser de qualquer um, mas era minha. Meses depois ela me fez ouvi um conselho sincero. Um daqueles raros. Um daqueles que você acredita que só podia ter saído da boca dela.
Um dia ela podia sentir o gosto amargo da tristeza. Aquela tristeza que chega de mansinho, que vai invadindo e que não deixa nada mais dar certo na vida. Mas, há algumas semanas, saíram da boca dela palavras doces de vitórias e um grito apertado de alívio. De uma conquista de todos nós, e que tiveram gosto doce no seu paladar.
Um dia vi a Ana colocar a mão na massa. Escrever, criticar, ligar. Instintivamente a vi agir. Nunca a vi atuar de maneira diferente. Precisa de resultado? Ela mostra. Precisa de fazer? É ela. Definitivamente, é ela. E como grita, e como cobra e, meu Deus, como realiza.
Hoje, só consigo olhar uma parte da cabeça da Ana. Para falar com ela, somente entre um telefonema e outro, entre um email e outro ou lá pelas tantas em uma carona saindo da agência.
Mas o que fica da Ana é outra coisa. Fica a certeza de que a vida mais uma vez me presenteou com pessoas maravilhosas ao meu lado e que eu, espertamente, carregarei comigo para onde eu for. Ficam "tchucas", conversas de dieta e uma amizade forte que, mesmo separada por baias, computadores, redes wifi e brigas com clientes, para mim, será eterna.
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