Enquanto todas as crianças queriam ser paquita, para mim, era muito mais importante ser a Tia Regina.
Aos 5 anos, eu queria ser "pintora de prédio dos projetos da Tia Regina".
Aos 5 anos, eu queria ser "pintora de prédio dos projetos da Tia Regina".
Pouco depois, queria estudar na Ufes para poder desenhar ventiladores coloridos naqueles quadros verdes como a Tia Regina fazia.
Queria o quarto da Tia Regina. Todo completo, com a música "sapato velho" escrito em verde na parede e um aparelho de som que acendia luzes quando saíam as músicas.
Queria ser arquiteta, só para fazer aquela bolona de durex que a Tia Regina fazia.
Toda a noite, eu sonhava em ser magrinha para usar a blusa que a Tia Regina tinha, que era curtinha e tinha "pérolas" pregada em toda a baínha.
Aí comecei a comer só em prato raso para imitar a Tia Regina. Comecei a sentir gosto de milho quando comia chuchu. Comecei a gostar de Paralamas tocada em K7 para ser como ela e fiz uma assinatura cheia de voltinhas igual a dela.
Hoje, algum tempo se passou e ainda quero muita coisa da Tia Regina.
Quero a sua garra, quero a sua força, quero a sua alegria e quero todo o amor da Guilhermina Maria.
Quero ter com a Mila a cumplicidade que ela tem com a minha mãe. Quero que meus filhos admirem a Mila como eu a admiro e quero que a Mila se dedique à eles como ela se dedica à gente.
Quero poder repetir para os meus filhos que na vida da gente, uma coisa só dá certo quando ela se torna uma prioridade.
Quero que a Tia Regina tenha orgulho de mim o mesmo tanto que eu tenho orgulho dela.
E que ela saiba que eu faz muita falta por aqui, onde chove todo dia e onde não tem ninguém para reclamar que a gente está colocando muito adoçante no copo.
Cuida da minha mãe e do meu pai, tia!
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